A Microsoft acaba de criar um nicho de mercado que se situa entre os assistentes pessoais digitais (PDAs) com poucos recursos e os laptops dotados de várias funções. É o Origami, uma nova categoria de computadores pessoais ultramóveis destinados a se tornarem tão
indispensáveis e onipresentes quanto os telefones celulares.
Logo, milhões dessas engenhocas se juntarão a iPods, BlackBerrys, PlayStations, tocadores de MP3, GameBoys e celulares superados na montanha de sucata eletrônica que ameaça envenenar a todos nós.
Exagero? Dificilmente. O refugo de equipamentos eletrônicos contém ingredientes perigosos classificados pela Agência de Proteção Ambiental (EPA) como “toxinas biológicas permanentes” que incluem chumbo, cádmio, bário, berílio e o mercúrio. Quando queimados, muitos deles liberam dioxinas. Nos aterros sanitários, eles penetram no
lençol freático e nunca se decompõem. Entre agora e 2009 – além de todos os nossos aparelhos eletrônicos portáteis -, mais de 550 milhões de computadores e aparelhos de televisão analógicos serão jogados fora nos EUA.
Por pior que pareça, no momento os Estados Unidos não têm nenhuma maneira de lidar com a toxinas contidas neste ciberlixo. Precisamos enviá-lo para outros lugares. E já estamos enviando para lá.
Porém, a Convenção da Basiléia restringe o comércio internacional de lixo perigoso, portanto, todos os envios de sucata eletrônica dos Estados Unidos para países em desenvolvimento são tecnicamente ilegais.
Numa estratégia oriunda do desespero, o Japão e os Estados Unidos estão agora propondo reabrir o comércio global de lixo tóxico. Neste ínterim, exportadores americanos dependem de um menu de estratégias fértil em expedientes para exportar nosso refugo tóxico. Isso inclui rotular incorretamente os contêineres de lixo eletrônico; passar o
material de um navio para outro através de portos neutros; subornar funcionários da alfândega dos países de destino; subornar políticos locais nas áreas onde os dispositivos são desmontados, e deslocar freqüentemente as operações de desmontagem através do mundo em desenvolvimento.
Guiyu, uma região rural no noroeste de Hong Kong, tornou-se a capital mundial da desmontagem tóxica, empregando mais de 100 mil pessoas. A Basel Action Network (Rede de Ação da Basiléia) publicou um relatório divulgando como os cloretos de polivinil estão sendo queimados abertamente e como metais preciosos estão sendo derretidos e
retirados de computadores usando-se ácidos altamente corrosivos que são despejados sem tratamento no rio Lianjiang.
Recentemente, capangas contratados por essas operações expulsaram de Guiyu jornalistas e ativistas estrangeiros. Mas, operações de desmontagem semelhantemente perversas foram descobertas em Karachi, no Paquistão; Chittagong, em Bangladesh; e no centro de reciclagem Mandoli, a leste de Nova Délhi. Toneladas de sucata eletrônica têm
sido despejadas ao longo dos rios asiáticos e nos canais de irrigação das áreas de arrozais. Em alguns lugares, a água de poço não é própria para beber.
Será que o mundo desenvolvido precisa descartar seu refugo desta forma? Será que não existe uma alternativa acessível financeiramente à exportação de nossas toxinas e envenenamento do mundo em desenvolvimento? A partir de janeiro, Maine passou, juntamente com a Califórnia e Maryland, a exigir que os fabricantes de equipamentos
eletrônicos coletem e desmontem os aparelhos de TV e telas de computador descartados, retirando as toxinas para reciclagem ou descarte seguro. Mais de 20 Estados estão considerando a hipótese de aprovar uma lei semelhante. Mas uma mixórdia de leis estaduais seria bem menos eficaz do que uma única lei federal. O Congresso agora tem
quatro projetos de lei sobre lixo eletrônico pendentes mas nenhuma vontade política de promulgar uma legislação dura.
Bill Gates poderá ajudar a sustar esse envenenamento certificando-se de que os Origamis e outros produtos sejam fabricados de tal forma que seus componentes tóxicos possam ser removidos facilmente e reciclados. O que poderia acontecer se Gates começasse um programa de limpeza dos locais de despejo de lixo tóxico desde Guiyu a Lagos?
Talvez, então, todo mundo possa comprar um Origami despreocupadamente, e a Microsoft poderia deixar de ser o bicho papão preferido do mundo.
*Giles Slade, autor do livro a ser publicado Made to Break: Technology and Obsolescence in America, escreveu para o jornal ‘Los Angeles Times’
é isso aí Fê! Olhar pra tecnologia com olhar crítico também. Não é só comprar celular novo com camera, bluetooth e o diabo a quatro. tem que pensar que os velhos serão jogados fora como qualquer outra coisa, porém, não se trata de material orgânicos. Agora está na moda se preocupar com o futuro do planeta, aquecimento global, etc. Mas sobre o consumo sustentável de novas tecnologias ninguém comenta, e isso gera muitos danos. E é claro que a Nokia, Siemens, ou qualquer outra fabricante não vai alertar a população desse mal.. É fácil e simplista pensar na tecnologia sem prestar atenção nos danos. E isto não é olhar pro futuro pelo espelho retrovisor.. ufa
MUITO OBRIGADO PELAS INFORMAÇOES