novas tecnologias para comunicação móvel
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Convergência digital… no celular
Ao invés de PCs ou laptops, o mundo digital converge mesmo é nos celulares. É só ter banda e preços razoáveis. Afinal de contas, somos, o tempo todo, móveis…
No Japão, desde 2005, o acesso a web via celulares é maior do que através de PCs. Na Inglaterra, é 19% dos PCs e, nos EUA, 17%. No Japão, em 2005, mais de 80% do e-commerce feito por pessoas entre 15 e 19 anos de idade já era através de celulares. Na Inglaterra, 67% dos usuários da web móvel têm menos de 35 anos de idade e, nos EUA, eles são 46%. No Japão, a terceira geração de celulares (3G), capaz de suportar muito mais usuários e usos, e velocidades na casa de megabytes por segundo, começou a ser introduzida em 2001 e, em 2005, mais de 40% dos usuários móveis só usava 3G. Daí vem, certamente, a quantidade de usuários móveis que estava na internet já na época. Vai haver quem diga que são as crianças usando a rede para navegar, pegar músicas e jogar. Também. Só que as crianças de hoje serão os adultos e executivos de amanhã. E os hábitos, quando se formam, são muito difíceis de mudar.
A galera de mais idade, como eu (que sou dos anos 50 do século passado) e alguns dos leitores, está acostumada a descartar novidades como algo que “as crianças” estão usando ou fazendo, por falta de ter com o que se preocupar — mas, “no futuro”, quando tiverem que trabalhar e pagar suas próprias contas, elas irão entrar “na linha”. Tal contexto foi o mesmo, no passado, para os pioneiros da indústria do automóvel. Enquanto seus pais andavam em confortáveis carruagens ornamentadas e puxadas a cavalo, os garotos construíam aquelas máquinas sujas, barulhentas e desconfortáveis, que nunca seriam, em sã consciência, usadas por um ser humano. Deu, como sabemos, no que deu. Até mesmo em Taperoá não há mais cavalos: tange-se gado, na caatinga, de moto…
O Japão tem sido, há pelo menos dez anos, o principal motor de inovação do mercado de comunicação móvel. Quem lidera o processo, lá, é uma estatal, a NTT (sim, estatais podem ser líderes e inovadoras!). E o que tem feito o país andar na frente é uma combinação de serviços e sua qualidade, montada sobre uma cadeia de valor que remunera decentemente os parceiros das teles, coisa que nunca aconteceu no Brasil e na América Latina. Claro, há poder aquisitivo e sua distribuição na sociedade, mas isso também existe nos EUA, que estão muitos anos atrás do Japão (e da Coréia)…
Em muitos aspectos, nós imitamos os Estados Unidos, começando por não termos entendido, como a Europa o fez bem cedo, o poder dos padrões como plataforma de desenvolvimento, uso e, conseqüentemente, negócios. Deixamos, num mercado secundário, as forças naturais definirem qual padrão sobreviveria. O resultado foi uma disputa inócua, e local, pois o jogo estava decidido nos mercados de muito grande porte, que realmente importam, como Europa e Ásia.
Ali na esquina, agora, está a terceira geração de mobilidade (3G), como aquela que os adolescentes japoneses (todos) usam para estar on-line o tempo todo. De forma muito mais barata, prática e rápida do que os “velhos” PCs e laptops. Desta vez, como o Brasil inteiro convergiu para GSM, parece que só há uma escolha natural, WCDMA (pense 100Kbps a 1Mbps), que está se tornando um padrão mundial. Suas evoluções prevêem de 1 a 10Mbps (HSPA) e mais de 10Mbps (LTE). Para nós só há, na prática, um caminho. Que não vai estar aí por muito tempo, diga-se de passagem. A indústria já conversa sobre a próxima rodada da infra-estrutura de acesso móvel para 2015. Ou seja, temos oito anos, se começarmos já. Parece muito, mas é muito pouco: os investimentos são altos e quem põe dinheiro e trabalho espera retorno. E não só uso.
Nos últimos anos, gastamos uma energia considerável para dar os primeiros passos do sistema brasileiro de TV digital e talvez tenhamos deixado meio de lado a evolução da telefonia móvel. Talvez. Isso porque não é certo, de forma alguma, que o mercado esteja pronto para 3G. Ou que as operadoras queiram e possam, agora, fazer os investimentos necessários para migrar suas plataformas para o novo padrão. Mas algo terá que ser feito em muito breve, nem que seja avisar a todos, consumidores inclusive, que o país irá direto de 2G (e suas adições, como GPRS e EDGE, para dados) para 4G, que virá a ser uma rede móvel totalmente IP, onde o que hoje atende pelo nome de telefone será, simplesmente, uma aplicação sobre um conjunto de infra-estrutura e serviços. Mas podemos esperar oito anos ou mais? Em tempos de vida digital, parece um milênio…
Não acho que podemos esperar muito mais tempo pela introdução de uma nova geração de tecnologias de mobilidade no país. E não seria por moda, mas por necessidade. Os primeiros negócios de 3G, principalmente na Europa, fracassaram por uma razão simples: os governos venderam as licenças para a operação por preços astronômicos, por que as empresas esperavam, por sua vez, retornos magníficos do investimento. Só que pagaram tanto pela licença (umas) que ficaram sem caixa para montar a rede e o negócio propriamente dito. Outras descobriram que não valia a pena montar a rede porque, onde compraram uma licença, não havia mercado. Isso foi há alguns anos e nós todos aprendemos muito com os erros dos outros. Pelo menos é o que se espera.
Se houvesse um leilão de licenças 3G no Brasil, hoje, nem de longe os preços pareceriam com os praticados na Europa, mesmo com os 100 milhões de consumidores em potencial que há por aqui. Nem proporcionalmente, usando o retorno médio por usuário, haveria comparação. Porque parece que todos já entenderam que a dinâmica do mercado, na prática, é muito diferente do que os teóricos anunciam… Ainda mais, mobilidade em banda larga pode começar a ser um item essencial na balança da competitividade para os negócios e pessoas, assunto no qual o Brasil anda muito mal. Nossa infra-estrutura não é das melhores do mundo, apesar de haver melhorado muito, e talvez seja preciso um PAC para telecomunicações.
E seria simples, porque todo o investimento seria privado. O governo ainda poderia levar algum nas licenças, se não estendesse as atuais para a nova geração de tecnologia, o que pode muito bem ser o caso. Em troca, poderia exigir metas de universalização bem mais radicais do que no passado, fazendo uso do FUST para as compensações necessárias, e a definição de cadeias de valor onde uma ecologia inteira de novos negócios de mobilidade pudesse coexistir em harmonia com as operadoras, o que nunca foi o caso no Brasil. Vai ser feito? Não sei. Precisa ser feito? Sim, e rápido. Senão será mais um bonde perdido e a convergência, no celular, vai acontecer em outras paradas…
—–> Texto extraído da coluna de Silvio Meira*, do G1 – portal de notícias da Globo
Acessado em 19 de Maio de 2007. Url: http://g1.globo.com/Noticias/Colunas/0,,7421,00.html
Silvio Meira é Professor Titular de Engenharia de Software do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco em Recife, cientista-chefe do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife e engenheiro formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).
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Tocador musical se destaca no Celular W880i
Katia Arima Especial para o G1
Aparelho pré-pago custa cerca de R$ 1,7 mil (Foto: Divulgação)
A Sony Ericsson é uma marca que se destaca por produzir celulares com boa capacidade de tocar música. O novo representante da linha Walkman, o W880i, segue essa linha e ainda apresenta um diferencial: tem apenas 9,4 milímetros de espessura. Mas a fabricante cometeu um pecado com esse modelo ao valorizar mais o design que a facilidade de uso, em alguns pontos.
O design “slim” (fino) permite que o aparelho se esconda discretamente no bolso da roupa. Disponível nas cores preto e prata, o W880i tem acabamento de aço escovado inoxidável. Sua tela tem boa resolução (QVGA, com 262 mil cores) e é relativamente grande (1,8 polegada). Ter estilo, como bem se sabe, custa caro: cerca de R$ 1.699, sugerido pela fabricante para pós-pago — o aparelho utiliza a tecnologia GSM, de operadoras como a Claro e a TIM.
Apesar do visual, existem os pecados da usabilidade. Os botões do teclado do aparelho são miúdos, em relevo, e posicionados muito próximos um dos outros. Isso dificulta o movimento mais básico feito pelo dono do telefone, que é pressionar o teclado para fazer ligações ou escrever mensagens. Pode não ser problema para quem tem dedos delicados, mas se suas digitais são grandes, esqueça.
Se você experimentou o W880i e não teve dificuldades em manipular o teclado e outros botões, vai gostar do produto. Isso porque ele está cheio de recursos avançados. O destaque, claro, fica para o tocador de música.
Tocador
O software gerenciador de músicas do aparelho é muito organizado e intuitivo. É possível realizar a busca de músicas por artista, título ou álbum, além de organizar listas personalizadas. No centro do aparelho há um joystick que facilita os comandos (tocar, parar, pausar, avançar, retroceder). Porém, o botão de volume localizado na lateral do aparelho é muito pequeno, difícil de mexer.
As faixas podem ser transferidas do PC para o celular diretamente, utilizando o gerenciador de arquivos do sistema, ou por meio do Disc2Phone, programa que acompanha o aparelho e ajuda no processo. O cabo USB, para conexão entre o celular e o computador, também vem no kit.
Extras
O celular está cheio de “brinquedinhos”, como aplicativos que permitem editar imagens e vídeos. Um recurso divertido é o Track ID, um identificador de música. Quando uma música estiver tocando no ambiente, o celular “captura” um trecho durante dez segundos e faz uma consulta a um banco de dados pela internet, apontando o nome da música e do artista. Como o serviço utiliza a rede de dados, lembre-se que será tarifado por cada música que identificar.
Mas vale notar que, como Track ID se baseia no padrão da música gravada, não adianta querer que ele identifique a música que está tocando ao vivo no show ou que seu amigo está cantando. Nos testes do G1, o grande problema é que o sistema estava muitas vezes fora do ar, o que causava frustração.
No modo vôo, o telefone fica desativado, enquanto as outras funções podem ser utilizadas. Uma boa função para quem está sempre no avião — duro mesmo é convencer o comissário de que o telefone realmente está desligado. Eventualmente, falhava a rede GPRS da TIM, operadora utilizada no teste.
Câmera
A câmera fotográfica não é tão caprichada como o Walkman, mas não faz feio. Tem boa resolução, de 2 megapixels, suficiente para imprimir uma foto no tamanho padrão (10 x 15 centímetros) com boa qualidade. Para clicar, a câmera pode ser posicionada na vertical e na horizontal, pois o botão fica na lateral do aparelho. Apesar da boa resolução, não espere imagens com qualidade de uma câmera comum: como não há auto-foco e iluminação, as fotos saem freqüentemente trêmulas.
A câmera também é capaz de gravar vídeos, mas a qualidade não é boa, assim como em qualquer celular que oferece o recurso.
Há outra câmera na parte frontal do aparelho, destinada a chamadas com vídeo. Parece divertido, mas não se iluda: no Brasil, não é possível utilizar o recurso, que só funciona em locais onde há redes GSM de terceira geração (UMTS).
Para armazenar tantos arquivos multimídia, é necessário ter bastante espaço na memória. Internamente, o W880i tem apenas 16 megabytes (MB), mas há uma entrada para Memory Stick Micro (M2) — o kit inclui um de capacidade de 1 GB. Para se ter idéia, nesse espaço cabe mais de 1.000 minutos de música em formato MP3 em boa qualidade. Se precisar de mais espaço, dá para comprar outro cartão (cerca de R$ 200, o de 1 GB).
Fôlego
A bateria do aparelho tem fôlego para suportar as atividades multimídia do W880i. Segundo a Sony Ericsson, ela dura 20 horas executando músicas. No teste, o aparelho superou as expectativas e ficou tocando ininterruptamente por 21 horas. Em modo de espera (stand-by), agüentou sete dias - a fabricante promete mais de 17 dias.
Sem esquecer de avaliar os aspectos básicos do aparelho, o W880i é muito fácil de usar, pois seu menu é muito bem organizado. Não falta nada: alarme, calendário, gravador de voz, calculadora e outros apetrechos. A agenda é completa, com campos para registrar variadas informações. O software PC Suite, que vem no kit, ajuda a gerenciar e fazer uma cópia de segurança (back-up) dos seus dados no computador.
Os alto-falantes são bons e permitem conversas no viva-voz, conveniente para conversar pelo telefone deixando as mãos livres. Dá também para ouvir música, mas a qualidade do áudio diminui. Prefira utilizar os bons fones de ouvido, que acompanham o celular.
